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INFANTV
- Vamos chamá-la de Tia Yara, tudo bem?
TIA YARA -
Podem me chamar de Tia Yara eu adoro! Era assim que me
chamavam e até hoje tenho amigos que me chamam de Tia Yara. É um carinho.
ITV
- Como começou na televisão?
TY -
Em 1975 eu trabalhava na superintendência da Varig e fiquei
sabendo que o programa Pullman Jr. iria voltar ao ar. Então eu fui fazer o
teste e passei nos 2 testes apesar de nunca haver feito televisão. Só vivia
no meio porque o Delcio, na época meu noivo, era publicitário, era do ramo.
Como eu gostava muito de crianças, tentei e deu certo.
ITV
- O que Durval de Souza significou em sua trajetória
profissional?
TY -
Como
eu não tinha nenhuma experiência em televisão, no dia do primeiro programa
eu estava nervosa e tremia muito. Durval me disse: "faça de conta que não
tem ninguém na sua frente, seja natural, você mesma, e deixe as crianças
fazerem tudo o que quiserem. Segure o microfone bem firme, encoste a mão no
peito e vá em frente." Nunca mais me esqueci disto. Ele foi meu
padrinho, meu amigo, um profissional como poucos. Me ensinou tudo sobre
televisão.
ITV
- Fale um pouco sobre o sucesso do Pullman Júnior.
TY -
O
Pullman Jr. teve inicio em 1954, com Aparecida Baxter, depois Marilia
Moreira, Cidinha Campos e Durval de Souza. Eles fizeram do programa um
grande sucesso, mas na minha época foi um sucesso total. Levamos o nome do
programa bem alto e ganhamos vários prêmios. Recebi o troféu O REPÓRTER do
Chacrinha, como o melhor programa infantil e a melhor apresentadora. Amei!
ITV
- A Angélica começou no Pullman Júnior, como foi essa
experiência
TY -
Ela começou a ir ao programa com 4 anos de
idade. Era linda, maravilhosa, parecia um anjo louro, mas era muito tímida,
só dizia seu nome e mandava beijinhos. Todas as crianças dançavam, cantavam,
dublavam, mas ela só olhava de longe. Era uma boneca e ganhou o prêmio da
criança mais bonita do Ano Internacional da Criança no programa do
Chacrinha. Essas crianças iam sempre ao meu programa, para recrutarmos os
pequenos para o programa dele. Ela era um sonho de pessoa.
ITV
- Você teve algum contato com a apresentadora depois disso?
TY - Sim
tive. Eu havia dado um ursinho de presente para ela, quando ela era pequena
e li numa entrevista dela, que ela dormia com o ursinho de pelúcia que a Tia
Yara havia dado a ela mas que estava tão velhinho que estava sem nariz. Como
eu conhecia o Mariano que era produtor do programa do Gugu, nos marcamos um
encontro com ela, para eu levar um ursinho novo. Esse encontro foi no
camarim do programa do Gugu no SBT, ela ficou tão contente e muito surpresa
e me convidou para participar do programa dela naquela semana que eu estava
no Brasil e me fez uma homenagem linda. Ela disse que eu era seu ídolo e que
ela sabia exatamente como as crianças se sentiam em relação a ela, pois era
como ela se sentia em relação a mim e que este sentimento era puro, sincero
e profundo. Amei!
ITV
- Houve uma festa de Natal no teatro Bandeirantes, recorde um
pouco desse evento pra nós.
TY -
Foi
o acontecimento do ano na Bandeirantes, foi uma festa linda. Eu estava
vestida de princesa. Tivemos uma peça de teatro com Torresmo e Pururuca,
Chupeta e Chupetinhha, Tio Fiore, muitos cantores e artistas. Conseguimos
mais de 1000 brinquedos numa época que não existia merchandise. Lotamos o
Teatro Bandeirantes. Fomos o recorde de público que antes era do amado
Chacrinha.
Quando o programa completou 25 anos em 1980, também fizemos uma festa linda
com homenagem aos ex apresentadores, aos donos da Pullman e eu recebi uma
comenda da Câmara Municipal de São Paulo, a Medalha Anchieta, como
reconhecimento dos serviços prestados à criança. Chacrinha estava lá. Que
sonho!
ITV
- Como você vê esse carinho até hoje do público que
acompanhou o Pullman Júnior?
TY -
Tenho grandes amigos que ficaram desta época. Crianças de
ontem que hoje são pais e mães e até hoje me procuram, fazem parte de uma
comunidade que tenho no orkut. Me mandam mensagens, me telefonam, me
visitam. Muita gente ainda não se esqueceu de mim, com muito carinho.
ITV
- Tem contato ainda hoje com alguém que participou do elenco
do programa?
TY -
Por
algum tempo tive contato com várias pessoas que trabalhavam comigo.
Encontrava sempre com Gilberto Santa Maria, Najara Tureta, Marcio e Ana do
conjunto Los Angeles, Gretchen, Sula Miranda, enfim, muita gente. Mas como
me mudei para os Estados Unidos, ficou mais difícil o contato, mas de vez em
quando eu encontro com alguém da turma. Encontrei velhos amigos muitas vezes
na Disney.
ITV
- Depois de passar com sucesso por várias emissoras por que o
programa acabou?
TY -
Eu
fiquei muito triste com a noticia, pois por mim eu estaria no ar ate hoje
(Vovó Yara), mas alguns problemas surgiram e o programa tinha que sair do ar
por algum tempo. O tempo foi passando, era para voltar ao ar, mas não
voltamos...
ITV
- Há algum momento, durante todos esses anos apresentando o
programa, que lembra com destaque?
TY -
Realizei
muitos sonhos, fiz muitas campanhas para ajudar os necessitados, via muitos
amigos e no dia da festa de Natal, fui receber Sidney Magal, que eu adorava,
com 20 garotos que o imitavam. Foi muito bom! Enfim, muitos momentos bons eu
trago na lembrança,
ITV
- Mesmo fora do Brasil, costuma acompanhar de alguma maneira
os atuais programas infantis do nosso país?
TY - Eu
continuo acompanhando tudo o que eu posso, pois aqui em Miami temos a Globo
e a Record. Assisto todas as novelas da Globo, os programas infantis que
passam na Globo Internacional, Sítio do Pica-pau Amarelo. Tv Colosso, Tv
Xuxa, Angélica, minha loura linda no Vídeo Game, que acompanho sempre. Raul
Gil, que também foi um grande amigo.
ITV
- É verdade que a Tia Yara iniciou os buffets infantis?
Conte-nos.
TY -
Na
época nos tínhamos um restaurante que era um castelo medieval A Corte, e
então as vezes gravávamos o programa "Castelo da Tia Yara", no restaurante e
fazíamos as festa de aniversario. As mães gostaram da ideia então começamos
a repetir as festas, mesmo fora das gravações. Abrimos uma companhia chamada
Faz Festa, e a loucura começou. Foi o primeiro buffet infantil em Moema.
ITV
- Depois de tanto tempo trabalhando para criança você voltou
à Varig para apresentar um documentário, conte um pouco dessa experiência.
TY -
Foi
na mesma época que eu fazia o "Castelo da Tia Yara" na Gazeta e comecei a
apresentar É Hora de Brasil, um documentário que mostrava os lugares mais
lindos do pais. Conheci muita gente, muitos lugares lindos. Foi maravilhoso!
ITV
- Fale-nos da Tia Yara hoje?
Vivo
com minha família em Miami desde 1990. Sou casada com Delcio Pereira a 35
anos, tenho 3 filhos maravilhosos que são o meu maior tesouro: Tattyana,
Fernando e Dyana. Tenho 2 netas: Lynn e Nathalie, que são a minha vida...
Amo televisão, assisto tudo o que posso, assisto todas as novelas, assisto
até as novelas antigas que passam aqui nos canais em espanhol. Assisto a Ana
Maria Braga todos os dias. Enfim sou uma amante da televisão.
Há alguns anos eu dei uma entrevista ao Estado de São Paulo, falando sobre
as fitas de vídeo que traziam as novelas e programas da Globo, antes que a
Globo se "instalasse aqui". Claro que o maior destaque da entrevista fui eu
por causa do programa Pulman Jr. e de ser a Tia Yara, foi uma loucura, muita
gente me encontrou aqui em Miami por causa dessa entrevista. Aí foi que eu
vi que não haviam esquecido de mim, foi muito bom. Vocês não imaginam
quantos recortes desse jornal eu recebi. Até recebi um dos recortes assinado
por Antonio Fagundes, pois eu falava, na época do Rei do Gado, que era a
novela que estava passando no Brasil.
ITV
- Tia Yara, deixe uma mensagem para os visitantes do InfanTv.
Fui muito feliz na época do programa. Tudo
era muito difícil, os primeiros programas eram ao vivo, não se podia fazer
merchandise, mas valeu, valeu muito a pena! Fiz grandes amizades, que
conservo ate hoje, trago na lembrança o carinho de cada uma das crianças que
eu recebia lá e sinto muita saudade e muita vontade de estar no palco.
Aprendi muito com as mensagens que recebia, podem ter certeza que cada um de
vocês esta bem guardado no meu coração.
Um grande beijo da Tia Yara e obrigada pelo carinho...
Entrevista realizada por Izaías Correia
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