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INFANTV
- A série As Panteras foi uma verdadeira febre também no
Brasil. Havia algum tipo de assédio aos dubladores na época?
SUMÁRA LOUISE -
Sim, embora menor do que hoje com a
chegada da Internet, claro. Como exemplo, posso citar duas cartas que
recebi naquela época. Uma, de um menino, internado num hospital com câncer,
que dizia textualmente que antes de morrer, queria "conhecer" a voz da
Sabrina. Um dos momentos mais emocionantes que vivi na minha vida. Tenho a
certeza de que ele, em sua passagem, estava feliz e realizado, tendo ido
diretamente para o colo de Deus, que em sua sabedoria consegue entender
estas coisas.
E a outra de um homem que se dizia, um rico fazendeiro de Mato Grosso,
que escrevia não querer nem saber como eu era fisicamente mas, exigia que a
minha voz aceitasse casar com ele! (risos). Claro que respondi ao fazendeiro
declinando do convite e atendi a carta do menino.
ITV - Pessoalmente gosto muito do seu trabalho com a Cybill
Shepherd, pra mim a voz da atriz não é outra que não a sua, e acho que
outros “infanautas” também pensam assim! Dá um certo ciúme ouvir algumas
atrizes que possuem a sua voz como oficial no Brasil, dubladas por outras
profissionais?
SL -
Não, por mais incrível que possa parecer. Entendo
que, primeiro: não posso estar em dois lugares ao mesmo tempo e segundo: as
colegas que eventualmente dublaram atrizes que normalmente dublo, sempre
tiveram a ética de me comunicar que o estavam fazendo, além de confirmarem
comigo que eu, realmente, não tinha podido aceitar a escalação.
Lembram da ética ? Vários dubladores a têm, não é uma exclusividade minha.
Cabe falar sobre as atrizes dubladas pelas colegas de São Paulo. Vejo com o
maior respeito e admiração, porque sei, na própria pele, o quanto é difícil
dublar tais atrizes e tenho certeza de que se lembrarão dos meus trabalhos
com aquela atriz e dublarão confiantes de que elas estarão à altura do
profissionalismo com que os executei, honrando o que fazemos e respeitando
nosso trabalho como dubladores, e isto para mim é o que importa!
ITV - A Tempestade é uma das suas personagens de destaque
hoje. Ela é interpretada pela Jane Kelly nos filmes e no desenho clássico
dos mutantes. Para o fã de dublagem entender: como é realizada a escolha dos
elencos?
SL -
Cabe um esclarecimento antes desta resposta,
propriamente: Eu sempre dublei a Tempestade, desde o primeiro filme/
desenho. O que ocorre é que, com a minha saída da Herbert Richers, fui
substituída pela Jane Kelly.
Quando da chegada do "X-Men Evolution", a Warner, que sabia do fato,
determinou que eu voltasse a dublar a Tempestade, o que foi um imenso prazer
para mim.
Quanto à Tempestade, em filme, a Sheila Dorfman dubla a Helen Berry, então,
neste caso, a escolha foi dublar com a voz da atriz e não com a voz da
personagem.
Agora, quanto à escolha de vozes, varia muito de cliente para cliente. Cada
um usa seus próprios critérios, embora, para todos, indiquemos que aquele
ator ou atriz tem vozes catalogadas. Às vezes isso é aceito, outras não,
ocorrendo então as trocas de vozes tão criticadas pelos fãs, que muitas
vezes nos questionam sobre isso, embora, como expliquei, tudo depende do
cliente.
Cabe acrescentar, que com a multiplicação dos eventos que contam com a
participação de dubladores, a participação dos fãs, seja por e-mail, seja em
comunidades, seja por site, mudou a cabeça de alguns distribuidores, que
procuram respeitar estas vozes já consagradas.
ITV - Há sempre situações engraçadas ou curiosas de alguém
conhecê-la pela voz?
SL -
Todo dia, toda hora, em qualquer lugar, em qualquer
situação. (risos) Acho que já dá pra escrever um livro narrando a variedade
de situações que já passei por conta da minha voz. Uma vez, logo após a
compra do meu apartamento, havia uma Assembléia de moradores convocada e eu
compareci. Havia muitas pessoas, mais de cem e eu fiquei lá atrás, no fundo
do salão. A determinado tempo, a questão em pauta não avançava e eu pedi uma
questão de ordem. Era o auge da série A Gata e o Rato, um sucesso
extraordinário e a Assembléia inteira virou-se para ver quem tinha pedido a
questão de ordem, porque, como estavam todos de costas para mim, minha voz
soou como se fosse na televisão, já que não estavam vendo meu rosto,
exatamente como na TV, e todos se viraram, já apontando para mim, dizendo: é
a Gata! É a Gata! Resultado: até hoje, 16 anos depois disso, ainda sou
chamada, carinhosamente, de Gata, pelos queridos vizinhos do meu
condomínio!
ITV - Você também trabalhou na Tv na série O Bem Amado, essa
experiência contribuiu para seu amadurecimento como atriz de alguma forma?
SL -
Todo trabalho como atriz, é um acréscimo, de fato. Eu
tinha muita facilidade, por exemplo, em "dar" o texto na intenção certa mas,
precisava unir a intenção com o olhar, coisa que não me era exigida na
dublagem. Aprendi a me posicionar para a câmera, a esperar a câmera estar em
mim, a obedecer a marcação de luz, a entender o que o diretor queria, mas, o
mais difícil para mim, foi decorar o texto. Explico: na dublagem,
interpretamos a cena, lendo o texto e imediatamente, descartamos o que
lemos. Não havia atentado para este fato, só mesmo quando fiz O Bem Amado.
Meu cérebro estava acostumado a ler e descartar, ler e descartar, como que
para dar espaço para a leitura do texto do loop seguinte, e na TV eu
precisava decorar e não descartar!
Não fosse Lutero Luiz (meu "marido " na série,) Lima Duarte, Dolabella e
Paulo Gracindo (outro que tinha dificuldade em decorar!), eu estaria
perdida, com certeza.
Com a continuidade do trabalho, meu cérebro, este ser supremo que todos
temos, assimilou o que era para ser feito e consegui superar a dificuldade.
ITV - Esse foi o motivo para se dedicar como atriz apenas à
dublagem?
SL -
É difícil explicar, já que adorei fazer TV. Mesmo
porque, tive a sorte de participar de uma programa escrito por Dias Gomes,
com um elenco estelar, com altíssima qualidade técnica mas, trabalhar com a
voz, sempre foi desafiante.
A determinado tempo, depois de 5 anos fazendo O Bem Amado, tive que
escolher: ou permanecia fazendo novelas ou voltava para a dublagem.
Conciliar as duas atividades no meu caso, que dublava papéis que exigiam
muitas horas de estúdio, era impossível!
O desafio de à cada dia fazer uma personagem diferente, a possibilidade de
chorar, rir, gritar, dar à luz, cair num abismo, sentir medo, pavor, ser
feliz, me angustiar, enfim, dublar atrizes tão diferentes entre si e tão
diferentes de mim mesma, foi determinante para a minha escolha. E escolhi a
dublagem!
ITV - Você possui uma imagem para alguns fãs de dublagem,
graças à postura sempre firme e combativa em favor dos direitos dos
dubladores, de uma pessoa “severa e intocável”. Fale um pouco mais da Sumára
família e amiga. Quem é essa Sumára?
SL -
Penso que duas coisas são determinantes em mim: a
moral e a ética! São essas duas palavras que me tornam "severa e
intocável", como dizem. Mas, sem elas, meu trabalho estaria comprometido,
minha cidadania também, minha família se desintegraria.
Tudo para mim está calcado em moral e ética! Assim criei meu filho, assim
cresci como pessoa, assim fiz amigos , assim me relaciono com os colegas e
com os patrões.
A Sumára família, é mãe orgulhosa do Marcello, avó da linda Mônica e sogra
da querida Lina. A família para mim é fundamental, é base e sustento da
minha força e garra.
A Sumára amiga, é daquelas de se contar meeeeeesmo (risos) Para tudo, para o
sim e para o não também, se preciso for!
Tive a sorte e a felicidade de ser filha de um pai que
teve tudo para ser corrompido e, de quem ouvi ainda muito menina, numa
reunião que presenciei escondida no topo da escada de minha casa, dizer:
"Eu não preciso assinar, já dei minha palavra!"
Até hoje me lembro desta reunião, cheia de personagens importantes da
política, das finanças e do governo do país, sentados à mesa lá de casa.
Tive a sorte de ter uma mãe que era dedicada à família, uma rainha em casa,
uma dama com os empregados e uma cúmplice de meu pai.
Então, os alicerces da moral e da ética foram moldados muito cedo em mim,
pelo que agradeço aos meus pais e à Deus todos os dias e estão presentes e
refletidos em cada atitude que tomo.
E a dublagem, para mim, é sagrada! Eu a defendo, implacavelmente, porque
entendo que fazemos um trabalho primoroso, embora nem sempre em condições
ideais, que nosso talento é colocado à prova em cada cena e que temos
admiráveis seres humanos trabalhando nela, que sustentam suas famílias
dublando por intermináveis horas! Para mim, são como verdadeiros artífices
da arte de atuar e, de resto, para mim, não importa o tamanho da tempestade
ou o quanto apavorante ela possa ser, calcada nos meus fundamentos,
sabiamente, me curvarei dando passagem a sua fúria e quando pensarem que
finalmente conseguiram me quebrar, quando a tempestade passar, estarei de
´pé novamente!
Então, acho que além de "severa e intocável", acrescentaria que sou
determinada! (risos)
ITV - Hoje os pesquisadores de dublagem sentem falta de um
registro de elencos das produções antigas, e tudo tem que ser buscado na
memória, ou revendo as produções, essas também difíceis de conseguir. Por
que não havia um registro escrito na época?
SL -
Porque, no pensamento do nosso povo, não é incutido o
respeito pela memória. Não nos ensinam isso na escola, não nos ensinam mais
a respeitar a bandeira e as instituições. Não nos ensinam a memória de
nossos artistas, de nossa história, de nossa língua!
Em se tratando de dublagem, então, esta "arte menor", no dizer dos primeiros
mundistas? Mas, hoje alguns poucos já se preocupam. Poucos mas eficazes e o
site InfanTv está aí mesmo para confirmar o que digo!
ITV - Esse regaste da memória da nossa dublagem está sendo
dificultado pelo lançamento de algumas produções em DVD sem dublagem em
português ou redublados. Haveria uma solução pra essa prática mudar?
SL -
Claro! Começa pelo direito autoral sendo respeitado
em nosso país e pelo respeito à nossa Constituição!
Isto sendo assegurado, que é o fundamento da ANAD, as regras serão
debatidas, em todos os detalhes e passarão a vigorar, depois de 40 anos de
luta!
Em memória dos dubladores que já não estão mais entre nós mas, cujas vozes
até hoje nos fazem relembrar nossa infância!
É um trabalho difícil mas, não impossível. Como eu disse: a "tempestade" é
furiosa mas, não temos medo dela! Sabemos que muita coisa estará perdida
mas, muita coisa ainda existe e queremos lutar de forma que isso seja
preservado. E o site de vocês e outros fãs que nos acompanham, serão
decisivos neste resgate !
ITV - Ao assistir a um filme em DVD pela primeira vez, que
tenha a opção dublada, sua escolha é sempre a mesma? E qual é ela? (risos)
SL -
(risos) O que vocês acham, sinceramente? Enfim, o que
ocorre é que vejo a grande maioria dos lançamentos na opção original, por
força do trabalho de diretora de dublagem. Quando vocês estão assistindo,
geralmente já assisti há pelo menos 2 meses e já estamos no processo de
dublagem.
ITV - Tenho alguns Dvds em casa, lançados aqui no Brasil, com
dublagem em espanhol e francês, e ausência da dublagem em português. Não lhe
parece falta de inteligência?
SL -
Somente de um tempo para cá, ao ver as estrondosas
vendas e conseqüentes lucros nas vendas de DVDs no Brasil, os
distribuidores se deram conta de que existimos, que assistimos filmes, que
compramos DVDs e que somos um mercado potencialmente interessante.
Antes, eles sempre achavam que nós vivíamos matando as cobras que circulavam
livremente em nossas ruas e que, portanto, não tínhamos nem TV.
Matar cobras, ocupava todo o nosso tempo de lazer! (risos)
ITV - E a Tv a cabo no Brasil, com tantas produções exibidas
legendadas?
SL -
É aquela coisa do conceito "primeiro mundista".
O conceito era de que a Tv a cabo, era privilégio de 5% da população, aquela
que teve acesso a educação, a outro idioma , a uma renda melhor. Então, meia
dúzia de gatos pingados, inflam o peito e dizem que preferem no original, e
eles acreditaram neles!
As pesquisas, que eles alegam terem feito nunca podem nos ser mostradas.
Além de acharem que "matamos cobras nas ruas", ainda nos tomam por
ignorantes. Num país com uma enormidade de analfabetos como o nosso, essa
"pesquisa" só pode ser piada! E de gosto duvidoso, diga-se...
Mas, nada dura para sempre e, contrariando o enunciado da sua pergunta, eles
viram que existe antena de Tv a cabo, em cada telhado das nossas casas, nas
favelas, nas periferias, nas casas ao longo das estradas que levam ao
interior e passaram a agir com inteligência, criando primeiro, opções como
TV Pipoca e afins e, em outros casos, dublando mesmo.
Afinal, entenderam que a classe dita "desfavorecida" é muito maior que a
meia dúzia privilegiada e mudaram o conceito!
ITV - Sumára, qual sua opinião a respeito da prática de
buscarem atores de novelas, humoristas e outros artistas não dubladores para
atuar na dublagem?
SL -
Na minha sincera opinião, é um risco muito grande que
eles correm, claro que amainado pelo cachê que recebem. Para mim, não são
dubladores e o resultado é o pior possível, justamente porque, dublar, é uma
especificidade da arte de atuar. Somente o exercício diário, a prática de
anos de estúdio, faz um dublador alcançar um resultado que pode ser
considerado excelente e alcançar o conceito que temos, como dublagem, no
exterior.
Na verdade, eles dublam em condições especiais, com ritmo especial de
produção além de, em muitos casos, usarem som guia de um dublador, como foi
o caso do Bussunda (em Shrek), que usou o som guia do conceituado dublador
Mauro Ramos. Enfim, nada a ver com nosso modo de trabalhar.
Ao contrário dos Estados Unidos, aqui dublamos em cima da cena. Lá, os
atores primeiro gravam as suas falas e depois os desenhistas criam os
movimentos labiais, em cima da fala do ator! Ora, isto não é dublar!
Então, não tenho nada contra, propriamente, só lamento que se exponham à
isso, porque o resultado é sempre abaixo do que eles poderiam fazer, se
exercessem também esta faceta da arte de atuar.
Também não acredito que a voz de tal ou qual ator, leve à
um aumento de bilheteria e atenda a expectativa de público pretendida pelos
grandes distribuidores, como é alegado. A Disney, por exemplo, sempre teve
retorno com seus filmes dublados, mpor aquelas vozes ditas "anônimas" .
Devemos lembrar que a canção de Cinderela, dos anões e tantas outras, foram
versadas por Braguinha, por Telmo de Avelar, artistas brasileiros, e que
tais canções vivem em nossa memória até hoje. Mas, como aqui tudo que o
americano faz é copiado, fica explicado.
ITV - De que forma isso pode ser evitado?
SL -
Não há como evitar, tendo em vista que todos são
atores, portanto, podem dublar. Quer dizer, alguns podem, porque não me
consta que o pessoal do Pânico tenha registro de ator. Aliás, este caso já
foi devidamente denunciado no Ministério do Trabalho, em São Paulo (Leia
mais aqui).
Há que mudar o conceito. Valorizarmos o que temos, termos orgulho de ser
brasileiros, ter respeito por todas as categorias.
Sempre me questiono, quando vejo levas e mais levas de estrangeiros chegando
no nosso país, "O que vieram ver? O que temos, que eles não tem?".
Precisamos nós, olharmos e vermos o que os turistas vêm ver. As nossas
belezas, a nossa cultura, a miscigenação, a nossa alegria. Quando
enxergarmos com esses olhos, quando aprendermos a nos dar valor como povo,
nos respeitaremos mais, com certeza!
ITV - Há muitos jovens que sonham em ser dubladores. Quais as
dificuldades que irão encontrar para entrar na profissão?
SL -
As mesmas que encontrariam em qualquer outra
profissão, tendo em vista que os governos não estão, via de regra,
interessados no crescimento do país, que só se dá com investimento em
produção e, conseqüentemente, em aumento de vagas de trabalho.
Antes, os governantes pensam e querem o próprio crescimento, então...
ITV - Hoje dá para um profissional viver só da dublagem, ou
só os mais veteranos conseguem?
SL -
Em começo de carreira, não. com certeza. Isso porque,
como expliquei, um dublador leva no mínimo 4 anos para assimilar a técnica
e, estar apto para protagonizar um filme ou uma série. Diferentemente da TV,
por exemplo, onde se prioriza o "rostinho bonito" e o talento é relegado
para as calendas gregas.
Considerando o estreitamento do mercado, justamente pela priorização da
legenda, mesmo os veteranos tiveram uma grande redução em seus rendimentos.
ITV - Estão surgindo muitos cursos de dublagens, alguns
oferecendo inclusive DRT, até que ponto esses cursos são confiáveis?
SL -
Desculpe mas, até hoje, eu não entendo como isso
possa ser possível.
Em princípio, sempre alerto à quem me procura, para ter cuidado com
propaganda enganosa, com promessas mirabolantes, com DRT banalizado, como
alguns cursos apregoam.
Enfim, os Sindicatos, tanto do Rio de Janeiro, quanto de São Paulo, estão
atentos e acompanhando estes casos.
ITV - Sumára, explique melhor o que é a ANAD e de que forma
ela atua?
SL -
A ANAD - ASSOCIAÇÃO NACIONAL DOS ARTISTAS DE DUBLAGEM
- , como consta em seu Estatuto, foi fundada para promover a defesa, a
proteção e a cobrança do direito autoral, devido aos dubladores e diretores
de dublagem.
Seus mais de 250 associados, hoje estão acompanhando atentamente, e sem
esmorecer, o trabalho desenvolvido pela Associação pelo reconhecimento deste
direito, ainda que alguns tenham sofrido perseguições as mais
diversas, incluídos o direito ao trabalho, à livre associação e o ingresso
em juízo, previstos em nossa Constituição.
A ANAD, no entanto, tem plena e total confiança nas Instituições que podem
garantir que a Lei seja respeitada neste país, que, em última análise, é
nosso, do povo brasileiro, seus trabalhadores e artistas.
ITV - Já existiram outras associações de dubladores no
Brasil, por que elas não vingaram e no que a ANAD se diferencia das demais?
SL -
E, rendemos nossas homenagens a ASA e à SONAT,
pioneiras nesta luta pelo pagamento do direito autoral dos dubladores, no
Brasil.
Em pouca coisa diferimos mas, os tempos são outros, as leis sofreram
alterações, hoje temos mais consciência do que é nosso direito.
O fato de sermos desrespeitados por tanto tempo, ao invés de nos esmagar
como sempre pretenderam, nos fez crescer, nos fez estudar muito, nos fez
aprender que existimos, que temos um trabalho à ser respeitado, que existem
leis que garantem e protegem este nosso direito. Decidimos exercê-lo, tão
somente.
ITV - Sumára, muito obrigado pelo papo. Gostaria que você
deixasse uma mensagem para os visitantes do InfanTv.
SL -
Foi um prazer imenso, aliás, tem sido um prazer
imenso debater, esclarecer, polemizar com os fãs e sermos apoiados por eles.
Vocês, decididamente, nos tiraram dos estúdios escuros e herméticamente
fechados, direto para a luz do dia e fizeram com que as pessoas vissem que,
por trás daquelas vozes, existem pessoas, de carne e osso, com defeitos e
qualidades, com erros e acertos mas, pessoas.
Jamais poderemos agradecer tanto carinho, suficientemente. Obrigada à todos.
Entrevista realizada por Izaías Correia
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