Emissora: Globo.
Ano de Produção: 19
81.
Gravadora: Som Livre.

Seleção de Repertório: .

Número de Faixas: 9.

 

 

 

Então os mais atentos perguntam: “O que uma trilha do cinema está fazendo em um site que fala sobre a nossa infância na tevê?”. Ora, será que nunca assistimos Os Saltimbancos Trapalhões nas inúmeras sessões de filmes da televisão! Eu mesmo voltei a assistí-lo a pouco tempo no Canal Futura. Portanto esse mês damos seqüência a obra fantástica dos Saltimbancos e falamos sobre sua trilha-sonora.

A peça Os Saltimbancos, foi montada em 1977, com direção de Antônio Pedro. Na adaptação do texto original de Luiz Enriquez e Sérgio Bardotti, Chico Buarque, mais do que criar músicas, reforça o cunho político, fazendo dos animais a metáfora dos operários que escapam do sistema assalariado para fundar uma comunidade. Os quatro animais, cada um com uma história de rejeição, apresentam seus talentos e defeitos. O jumento é paciente, a galinha, teimosa. A gata é muito esperta, o cachorro, leal. Lutando e aprendendo eles descobrem que, juntando suas qualidades, são mais fortes e podem sonhar com o lugar ideal de cada um.

A peça fez um enorme sucesso, e um Lp  foi lançado com as canções fabulosas usadas no espetáculo. Em 1981 foi a vez de Chico Buarque adaptar sua obra para o cinema, desta vez os operários viram contra-regras de um circo, e os bichos aparecem quando estes funcionários viram Saltimbancos (artistas de rua) e vestem-se com fantasias de Gata, Cachorro, Galinha e Jumento.

A trilha aqui está mais aperfeiçoada, conta com a interpretação de artistas como Lucinha Lins, Ivan Lins, Miucha, Bebel Gilberto e os Trapalhões.  Das canções da peça somente foram aproveitadas na trilha sonora filme "História de Uma Gata", "Minha Canção", "Todos Juntos" e "Bicharia" que recebeu o nome de "Rebichada". "Piruetas", primeira faixa, foi composta especialmente para o quarteto campeão de público e audiência, a letra fala sobre o problema da miséria, enquanto brinca com o ritmo frenético de um circo. "Hollywood" é a canção que fala sobre o mundo perfeito pelo qual os Saltimbancos vivem procurando e substitui "A Cidade Ideal" dentro da história. Se na peça a canção "A Pousada do Bom Barão" era a trilha do vilão, no filme a canção "Meu Caro Barão" é que se encarrega de mostrar o perverso dono do circo, aqui Chico Buarque brinca com a sonoridade das palavras como se estivesse lendo uma carta escrita numa máquina de escrever com o assento agudo quebrado.

Com as letras abaixo espero que vocês relembrem essas canções que embalaram a infância de muita gente.

 

 

Lado A

 

Piruetas

(Chico Buarque, os Trapalhões)

 

Hollywood

(Lucinha Lins, os Trapalhões)

 

Alô, liberdade

(Bebel, os Trapalhões)

 

A Cidade dos Artistas

(Elba Ramalho, os Trapalhões)

 

História de Uma Gata

(Lucinha Lins)

 

Lado B

 

Rebichada

(Chico Buarque, os Trapalhões)

 

Minha Canção

(Lucinha Lins)

 

Meu Caro Barão

(Chico Buarque, os Trapalhões)

 

Todos Juntos

(Lucinha Lins, os Trapalhões)

 

 

 

 

Piruetas

voltar


Uma pirueta
Duas piruetas
Bravo, bravo
Superpiruetas
Ultrapiruetas
Bravo, bravo
Salta sobre
A arquibancada
E tomba de nariz
Que a moçada
Vai pedir bis
Que a moçada
Vai pedir bis

Quatro cambalhotas
Cinco cambalhotas
Bravo, bravo
Arequicambalhotas
Hipercambalhotas
Bravo, bravo
Rompe a lona
Beija as nuvens
Tomba de nariz
Que os jovens
Vão pedir bis
Que os jovens
Vão pedir bis

No intervalo
Tem cheirim de macarrão
E a barriga ronca
Mais do que um trovão
Quero um prato
Cê tá louco
Quero um pouco
Cê tá chato
Só um pedaço
Cê tá gordo
Eu te mordo
Seu palhaço
Olha o público
Cansado de esperar
O espetáculo não
Pode parar

Vinte piruetas
Trinta piruetas
Bravo, bravo
Polipiruetas
Maxipiruetas
Bravo, bravo
Sobe ao céu
Fura a calota
E tomba de bumbum
Que a patota
Grita mais um
Que a patota
Grita mais um

No intervalo
Tem cheirim de macarrão
E a barriga ronca
Mais do que um leão
Quero um prato
Cê tá louco
Quero um pouco
Cê tá chato
Só um pedaço
Cê tá gordo
Eu te mordo
Seu palhaço
Olha o público
Cansado de esperar
O espetáculo
Não pode parar

Dez mil cambalhotas
Cem mil cambalhotas
Bravo, bravo
Maxicambalhotas
Extracambalhotas
Bravo, bravo
Salta além
Da atmosfera
E cai onde cair
Que a galera
Morre de rir
Que a galera
Morre de rir

Ai, minhas costelas
Já tô vendo estrelas
Bravo, bravo
Ai, minha cachola
Não tô bom da bola
Bravo, bravo
Lona... nuvens
Tomba no hospital
Uma pirueta
Uma cabriola
Uma cambalhota
Não tô bom da bola
E o pessoal
Delira...
Maxipirulito...
Ultravioleta...
Bravo, bravo!


 

 

 

 


Meu Caro Barão
voltar

 


Onde quer que esteja
Meu caro Barão
São Brás o proteja
O santo dos ladrão
Tava na faxina
Do seu caminhão
Vi essa maquina
De escrever no chão
Escovei a nega
Lavei com sabão
Deu uma cocega
Nos calo da mão

Pronto
Ponto
Tracinho, tração
Linha
Margem
Meu caro Ba...

Vire a pagina
Continuação
Ai, essa maquina
Tá que tá que é bão
Como eu lhe dizia
Meu caro Barão
A sua ausencia
É uma sensação
O circo lotado
Cidade e sertão
Domingo, sabado
Inverno e verão
Pronto
Ponto
De exclamação
Linha
Margem
Meu caro Barão

Tem gargalhada
Tem sim senhor
Tem muita estrada
Tem muita dor
Venha, Excelência
Nos visitar
Estamos sempre
Noutro lugar

Dizem que virgula
Aspas, travessão
Coisa ridicula
Dizem que o Barão
Que o Barão, meu caro
Tinha a faca, o pão
O queijo e os passaros
Voando e na mão
Pois eu tenho ouvido
Que o pobretão
Tá magro, palido
Sem ocupação
Pronto
Ponto
De interrogação
Linha
Margem
Meu caro Barão

Venha, Excelência
Nos visitar
A casa é sempre
De quem chegar
Se a senhoria
Vem pra ficar
Basta algum dia
Se preparar

Pra rodar com a gente
Pra fazer serão
Pra ficar contente
Comer macarrão
Pra pregar sarrafo
Pra lavar leão
Pra datilografo
Bilheteiro, não
Pra fazer faxina
Nesse caminhão
Cuidar da maquina
E não ser mais Barão
Linha
Margem
Etcétera e tal
Pronto
Ponto
E ponto final
 

 

 

 

 

 

Hollywood
voltar

 

 

Ói nós aqui
Ói nós aqui
Hollywood fica
Ali bem perto
Só não vê quem
Tem um olho aberto

Ói nós aqui
Ói nós aqui
Hollywood
É um sonho de cenário
Vi um pau-de-arara
Milionário

E eu que nem sonhava
Conhecer o tal Recife
Pobre saltimbanco
Trapalhão
Hoje sou mocinho
Sou vizinho do xerife
Dou rabo-de-arraia
Em tubarão

Ói nós aqui
Ói nós aqui
Tem de tudo
Nessa Hollywood
Vi um índio
Cheio de saúde

Ói nós aqui
Ói nós aqui
How do you do
Caruaru
I wanna see
Piripipi
Ói nós aqui

Ói nós aqui
Ói nós aqui
Camelôs, malucos
E engraxates
Aproveitem enquanto
O sonho é grátis

Quem há de negar
Que é bom dançar
Que a vida é bela
Neste fabuloso Xanadu
Eu só tenho medo
De amanhã cair da tela
E acordar
Em Nova Iguaçu

Ói nós aqui
Ói nós aqui
How do you do
Banabuiú
I wanna buy
O Paraguai
Hollywood
And me
Ói nós aqui (vixe!)



 

 

 


A Cidade dos Artistas
voltar

 


Na cidade
Ser artista
É posar sorridente
É ver se de repente
Sai numa revista
É esperar que o orelhão
Complete a ligação
Confirmando a excursão
Que te leva ao Japão
Com o teu pianista
E antes que
O sol desponte
Contemplando
O horizonte
Conceder entrevistas
Aos outros artistas
Debaixo da ponte

Na cidade
Ser artista
É subir na cadeira
Engolindo a peixeira
É empolgar o turista
É beber formicida
É cuspir labareda
É olhar a praça lotando
E o chapéu estufando
De tanta moeda
É cair de joelhos
É dar graças ao céu
Lá se foi o turista
O dinheiro, a peixeira
A cadeira e o chapéu

Ser artista
Na cidade
É comer um fiapo
É vestir um farrapo
É ficar à vontade
É vagar pela noite
É ser um vaga-lume
É catar uma guimba
É tomar uma pinga
É pintar um tapume
É não ter documento
Até que o rapa te pega
Te dobra, te amassa
E te joga lá dentro


 

 

 

 


Minha Canção

voltar



Dorme a cidade
Resta um coração
Misterioso
Faz uma ilusão
Soletra um verso
Lavra a melodia
Singelamente
Dolorosamente
Doce a música
Silenciosa
Larga o meu peito
Solta-se no espaço
Faz-se a certeza
Minha cançao
Réstia de luz onde
Dorme o meu irmão


 

 

 

 


Todos Juntos

voltar



Uma gata, o que é que tem?
- As unhas
E a galinha, o que é que tem?
- O bico
Dito assim, parece até ridículo
Um bicinho se assanhar
E o jumento, o que é que tem?
- As patas
E o cachorro, o que é que tem?
- Os dentes
Ponha tudo junto e de repente
Vamos ver no que é que dá

Junte um bico com dez unhas
Quatro patas, trinta dentes
E o valente dos valentes
Ainda vai te respeitar

Todos juntos somos fortes
Somos flecha e somos arco
Todos nós no mesmo barco
Não há nada pra temer
- ao meu lado há um amigo
Que é preciso proteger
Todos juntos somos fortes
Não há nada pra temer

Uma gat, o que é que é?
- Esperta
E o jumento, o que é que é?
- Paciente
Não é grande coisa realmente
Prum bichinho se assanhar
E o cachorro, o que é que é?
- Leal
E a galinha, o que é que é?
- Teimosa
Não parece mesmo grande coisa
Vamos ver no que é que dá

Esperteza, Paciência
Lealdade, Teimosia
E mais dia menos dia
A lei da selva vai mudar
Todos juntos somos fortes
Somos flecha e somos arco
Todos nós no mesmo barco
Não há nada pra temer
- Ao meu lado há um amigo
Que é preciso proteger
Todos juntos somos fortes
Não há nada pra temer

E no entanto dizem que são tantos
Saltimbancos como nós
 

 

 

 

 

 


Alô, Liberdade

voltar

 

 

Alô, liberdade
Desculpa eu vir
Assim sem avisar
Mas já era tarde
E os galos tão
Cansados de cantar

Bom dia, alegria
A minha companhia
Vai cantar
Sutil melodia
Pra te acordar

Quem vai querer tocar trombeta
Pem pererém pererém
Pempem
Quem vai querer tocar matraca
Tracatracatraca
Tracatraca
Quem vai de flauta e clarineta
Fi firiri
Firiri fifi
Quem é que vai de prato e facaa
Taca cheque taca
Chequetaca checá
Quem vai querer sair da banda
Pan pararan
Pararan panpan
Hoje a banda sairá

Alô, liberdade
levante, lava o rosto
Fica em pé
Como é, liberdade ...
Vou ter que requentar
O teu café

Bom dia, alegria
A minha companhia
Vai cantar
Em doce harmonia
Pra te alegrar

Quem vem com a boca no trombone
Pom pororom
pororom pompom
Quem vem com a bossa no pandeiro
Chá carachá
Carachá chachá
E quem toca só toca telefone
Trim tiririm
Tiririm trimtrim
E quem só canta no chuveiro
Trá tralalá
Tralalá lalá
Quem vai querer sair na banda
Pan panpan
Hoje a banda sairá
Laiaralaialaialaiá
Hoje a banda sairá
Olá, liberdade!


 

 

 

 


História de uma Gata
voltar
 


Me alimentaram
Me acariciaram
Me aliciaram
Me acostumaram

O meu mundo era o apartamento
Detefon, almofada e trato
Todo dia filé-mignon
Ou mesmo um bom filé... de gato
Me diziam em casa, não tome vento
Mas é duro ficar na sua
Quando à luz da lua
Tantos gatos pela rua
Toda a noite vão cantando assim

Nós, gatos, já nascemos pobres
Porém, já nascemos livress
Senhor, senhora ou senhorio
Felino, não reconhecerás

De manhã eu voltei pra casa
Fui barrada na portaria
Sem filé e sem almofada
Por causa da cantoria
Mas agora o meu dia-a-dia
É no meio da gataria
Pela rua virando lata
Eu sou mais eu, mais gata
Numa louca serenata
Que de noite sai cantando assim

Nós, gatos, já nascemos pobres
Porém, já nascemos livress
Senhor, senhora ou senhorio
Felino, não reconhecerás


 

 

 

 

 

 

 

Rebichada
voltar

 

 

Au, au, au, hi-ho, hi-ho
Miau, miau, miau, cocorocó

Não me importa trabalhar pra cachorro
O jumento é meu igual
Morro muito mais que gato no morro
Quando chega o carnaval
Sou eu quem cutuca o galo, viu
Pro galo cocorocar
Mas se pisam no meu calo
Não me calo
Eu tenho que calar
Como falo

Au, au, au, hi-ho, hi-ho
Miau, miau, miau, cocorocó
Essa história é mais velha que a história
Dos tempos de glória do velho barão
Quem não sabe de cor essa história
Refresque a memória e preste atenção
Não sou eu quem repete essa história
É a história que adora uma repetição
Uma repetição

Sou eu que distraio o galo, de fato
Quando a outra vai chocar
Sou eu quem arruma cama de gato
Ponho o gato pra mijar
Beijo a mão de vira-lata, sim
Chamo burro de doutor
Mas se alguém me desacata
Maltrata o meu brio
E meu valor
Largo a pata

Au, au, au, hi-ho, hi-ho
Miau, miau, miau, cocorocó
Essa fábula vem de outro século
Pelo fascículo de um alemão
O irmão do alemão deu prum nego
Que vendeu prum grego
Por meio milhão
Esse grego morreu de embolia
E deixou para a tia
O que tinha na mão
Essa tia casou com um pirata
E afundou com com a fragata
Lá no Maranhão
Essa lenda rolou na fazenda
Moeu na moenda
E espalhou no sertão
E eu não nego que roubei dum cego
E inda ponho no prego
Pra comprar meu pão
Não sou eu quem repete essa história
É a história que adora
Uma repetição
Uma repetição

 

 

 

 

 

 

 

 

 

COMENTE:

 

O InfanTv coloca à sua disposição um espaço para comentar as matérias publicadas no site. Pedimos que participe de maneira educada, respeitando a opinião dos demais e tratando exclusivamente dos temas abordados na página. Leia o nosso Termo de Uso e Responsabilidade.

 
comments powered by Disqus