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INFANTV
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Você começou na vida artística muito cedo, aos 4 anos, como foi essa fase?
MÁRIO
LÚCIO -
Minha família era circense. Meu pai (Nestor
de Freitas) tinha um circo (Marabá), onde ele atuava como trapezista, junto
com minha mãe (Adélia de Freitas), e como palhaço, em dupla com meu irmão (Renée).
Assim, meu início como palhacinho FOMINHA aconteceu quase que naturalmente.
ITV
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Ainda criança você participou de uma das séries nacionais mais aclamadas de
todos os tempos, O
Vigilante Rodoviário,
como surgiu o convite para o seriado?
ML -
Quando recebi o convite para atuar como
ator na série, eu já estava apresentando um programa de televisão no canal
5, em parceria com Branca Ribeiro (Parque Petistil) e eles preferiam atores
que estavam se destacando. Muitos atores da OVC fizeram a série.
ITV
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Na época era difícil conciliar o trabalho de ator mirim com as brincadeiras
e os estudos?
ML -
Pra mim não, porque isso sempre fez parte
da minha vida. Nasci praticamente no circo. Quando a gente mudava de cidade,
minha mãe tinha que procurar escola, pra eu não perder as aulas. Isso
ocorria toda semana. Fiz o primário desta forma. Uma semana em cada lugar.
Então na TV já não tinha o problema de mudança. Eu estudava de manhã (já era
o ginásio), brincava um pouco depois do almoço e ia pra TV. Teve uma época
que eu ainda estava fazendo circo depois da TV, e o circo estava em
Bertioga. Todos os dias eu fazia esse ritual – escola, brincadeira, TV,
ônibus pra Santos, atravessar o mar com uma catraca, circo e voltar pra São
Paulo - É brincadeira?
ITV
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Os programas infanto-juvenis sempre estiveram muito presentes em sua vida.
Você chegou a apresentar alguns, não é? Fale sobre eles.
ML -
Apresentei o Parque de Diversões Cremogema, ao lado da Mariuza e grande
elenco (1960), Parque de Diversões das Casas Pernambucanas, com Branca
Ribeiro e várias crianças (1962), Parque Petistil, com Branca Ribeiro (1963)
e
Sessão Zas-Trás,
com Tio Molina, Ayres Campos (o famoso Capitão 7), Maximira Figueiredo,
Lesco-Lesco e grande elenco (1964). Em todos eu atuava como apresentador e
cantor.
ITV
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O que mudou na linguagem dos programas infantis apresentados por você para
os atuais?
ML -
Na época era tudo ao vivo, era tudo baseado em teleteatro, historinhas,
novelinhas, musicais, gincanas, etc. e a criança participava mais. Hoje, ela
praticamente assiste ao desenho.
ITV
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Você também trabalhou com temas de novelas, inclusive das infantis
Chispita
e Lupita. Você tem como apontar aquele que mais lhe agrada?
ML -
Fiz muitas aberturas de novelas e séries (10 novelas e várias séries e
jornalismos), mas de todas, a que eu gosto mais é a do Jerônimo, em parceria
com Marcelo Gastáldi. Gosto muito também da
Angel, a
Menina das Flores
e Rei Arthur.
ITV
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Como surgiu a Gota Mágica?
ML -
Eu já tinha um estúdio antes (a Marsh Mallow) com dois sócios. Fazíamos
publicidade, discos, dublagens. Aí resolvi montar algo sozinho e fundei a
Gota.
ITV
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A partir dos anos 80, vocês começaram a verter os temas de abertura do
original para o português. Surgiram temas inesquecíveis. Como ocorre esse
processo para compor uma versão?
ML -
Para algumas séries eram feitos temas novos (como
Chaves,
Rei Arthur, Luluzinha e Bolinha, Fábulas de uma Floresta Encantada,
Angel, a
Menina das Flores,
Punky - A Levada da
Breca,
etc.) e para outras apenas vertíamos a música original (Jem e As
Hologramas,
Ursinhos Carinhosos,
Meu
Querido Pônei,
Moranguinho e mais recentemente Dragon Ball, Bananas de Pijamas, Saylor Moon,
etc.). No caso das versões, o tradutor mandava a tradução literal da letra
original e eu a adaptava para ficar com cara de música. Assim foi feita a
série inteira de
Jem e As
Hologramas,
Chaves,
Barney e seus Amigos do SBT...
ITV
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O tema dos
Ursinhos Carinhosos
até hoje é um dos mais procurados no InfanTv, a versão é sua também né?
ML -
Recebi a tradução, adaptei e resolvi cantá-lo eu mesmo. Pouca gente sabe
disso. Fiz assim porque, durante a série, em alguns capítulos, tinha outras
músicas cantadas e o fato de eu cantar facilitaria.
ITV
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O trabalho realizado com as músicas das séries
Chaves,
Chapolim
e Clube do Chaves, continua agradando ao público dessas séries que sempre se
renova. Como você vê esse carinho por parte dos fãs?
ML -
As séries do
Chaves
são realmente um sucesso de comunicação. E o engraçado é que ninguém botava
fé quando elas chegaram. Tanto que a Televisa mandou a série
Chaves
de graça, de contrapeso de umas novelas. Com relação ao carinho, eu vejo com
satisfação que um trabalho da gente, feito no começo dos anos 80, sem
tecnologia nenhuma, continua a fazer sucesso, mesmo com tudo isso contra.
ITV
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Falando em
Chaves,
você é responsável por grande parte das adaptações das piadas para a
realidade brasileira. Como se desenvolveu esse trabalho?
ML -
Às vezes, se traduz literalmente a piada e ela perde o sentido. Tem uma
que eu gosto de citar, que foi um erro crasso, que passou pela direção, num
dos primeiro capítulos: o Kiko aparece como engraxate e pergunta – Graxa? E
o
Chaves
responde – De nada. Desta forma, não tem graça nenhuma, porque a piada era
um trocadilho. Em espanhol, “obrigado” se diz “gracias”, que confunde com
graxa.
ITV
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Você era amigo pessoal do dublador Marcelo Gastáldi, é verdade que vocês
tinham uma banda?
ML -
Foi em 1966. A banda chamava-se “Os Iguais”. Dela participavam, além de
mim e do Marcelo, o Antônio Marcos, que viria a se tornar um cantor famoso,
e mais um funcionário do Canal 5 (hoje, Rede Globo), Apolo Mori. Gravamos
muitas canções, mas a mais famosa foi “A Partida”, nascida de uma parceria
minha com o Marcelo. Foi aí que nasceu nosso trabalho musical. Depois vieram
as aberturas de novela ("Anjo Bom" e "A Família", da novela
Chispita,
Estranho Poder, Jerônimo,
Punky - A Levada da
Breca,
entre outras.).
ITV -
Sendo responsável por dublagens de inúmeros sucessos, com trabalhos
primorosos, porque a Gota Mágica não teve continuidade?
ML -
Quando saí da sociedade da Marsh Mallow para montar um estúdio sem
sócios, esse estúdio seria utilizado por mais duas firmas, que iriam dividir
as despesas da estrutura com a Gota Mágica, mas logo no início essas firmas
fecharam, deixando as despesas somente com a Gota, que estava engatinhando e
não agüentou.
ITV -
Quais as complicações de se trabalhar para o público infantil? Notavelmente
o mais exigente.
ML -
Pra mim, nenhuma. Sempre fiz isso. Desde o circo.
ITV -
Você se dá conta da responsabilidade que é trabalhar para esse público?
ML -
Com certeza. É um público que não disfarça. Não gostou, não gostou e
pronto. Não sabe mentir.
ITV -
Como você avalia a qualidade na nossa dublagem hoje?
ML -
Excelente. Uma das melhores do mundo. Pena que alguns empresários só
pensem em ganhar dinheiro, deixando passar algumas coisas que poderiam ser
melhoradas.
ITV -
Mário, muito obrigado por esse bate papo, gostaria que você deixasse uma
mensagem para o pessoal que visita o InfanTv.
ML -
Obrigado pelo carinho que dedicam ao meu trabalho e, quando puderem,
visitem meu site que ficarei honrado (www.marioluciodefreitas.com.br).
Com relação ao InfanTv, eu o acho um site muito completo, que traz uma
contribuição muito valiosa. Obrigado por me deixar participar dele. Um forte
abraço a todos.
Entrevista realizada por Izaías Correia |