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A Série.
A
série O Bem Amado foi um dos grandes sucessos da tevê brasileira. Oriunda
da telenovela de mesmo nome de 1973, a primeira a cores a ser exibida no
Brasil, O Bem Amado conseguiu índices de audiência tão expressivos, que
era inevitável que o programa tivesse um retorno às telas. Como o próprio
autor afirma a série não era uma continuação da telenovela, embora os
personagens e grande parte dos cenários fossem os mesmos. A série escrita
por Dias Gomes, estreou no dia 22 de abril de 1980.
O
Bem Amado era uma sátira, bem construída e encenada, aos políticos
corruptos e a vida cotidiana interiorana. Sua fotografia litorânea,
filmada no Rio de Janeiro (mas com uma história centrada na Bahia) era de
encher os olhos e seus personagens bem caricatos possuíam uma riqueza de
comportamentos que transformava cada um deles numa imortal figura da
história da nossa televisão.
O que
fazia da série um sucesso tão grande, provavelmente fosse por que Sucupira
era um pedaço
do Brasil com toda sua variedade e riqueza cultural, Dias Gomes chegou a
dizer que sua dúvida era se o Brasil é uma grande Sucupira ou
seu microcosmo".
Uma
das marcas de maior destaque do seriado – bem como na novela – era a
tripologia popular. O autor concentrou numa cidade do interior figuras
representativas de tendências, comportamentos e características comuns a
modos de vida presentes em todo o país.
O
Bem Amado sofreu vários cortes da censura. Um dos casos de maior
repercussão ocorreu em 1982, quando a Divisão de Censura da Policia
Federal cortou a seguinte frase de Odorico Paraguaçu: “não tivesse eu
jurado fazer de Sucupira uma democracia, mandava botar todos eles num
pacote e jogar no mar”.
Eventualmente os cenários do seriado mudavam quando Odorico Paraguaçu
viajava para outras regiões brasileiras , sempre em nome de sua intensa
atividade política.
Com o falecimento de Janet Clair, em novembro de 1984, Dias Gomes
passou a escrever a novela Eu Prometo (1983), com isso a sobrecarga no
autor fez com que a série passasse a ser mensal e mesmo assim a Globo
pensou em cancelar a série devido a sobrecarga de trabalho à qual Dias
Gomes estava sendo submetido. Mas um abaixo-assinado manteve a série por
mais um ano. Seu último episódio foi ao ar no dia 9 de novembro de 1984.
A História.
A história
da telenovela, que teve continuidade na série, girava em torno do Prefeito
Odorico Paraguaçu (Paulo Gracindo) e da sua meta administrativa
prioritária na cidade de Sucupira, litoral baiano, a inauguração do
cemitério municipal. Maquiavelicamente, o prefeito armava tramas para que
morresse alguém na cidade, tentando sempre baixar a expectativa de vida em
Sucupira, mas era sempre mal sucedido. Nem as diversas tentativas de
suicídio do farmacêutico Libório (Arnaldo Weiss), tiroteios na praça,
crimes, ossadas encontradas e a chegada do Zeca Diabo (Lima Duarte), um
cangaceiro matador, lhe proporcionam a realização do sonho. Bastava
Odorico iniciar o seu discurso descomunal e Gracindo dava um show banhado
de expressões inexistentes ou difíceis como: "talqualmente",
"invencionices", "merecedências" e "democradura".
De um
lado o prefeito era apoiado pelas irmãs Cajazeiras: Dorotéa, Dulcinéa,
Judicéa (Ida Gomes, Dorinha Duval, Dirce Migliaccio) e seu secretário
Dirceu Borboleta (Emiliano Queiroz), lembrado por seu jeito sossegado de
falar. De outro, tinha que lutar com a forte oposição liderada por Donana
Medrado (Zilka Salaberry), a delegada de polícia e os integrantes do
jornal local.
Outro
destaque da série era o Cangaceiro arrependido Zeca Diabo que
brilhantemente interpretado por Lima Duarte logo foi entrando no gosto
popular.
No
seriado, o progresso finalmente chega a Sucupira. Com a abertura do regime
militar, o autor pôde tirar suas críticas perspicazes e bem-humorada das
entrelinhas e abordá-las de forma mais clara. Com isso, tratou de temas
difíceis de serem tratados na época da exibição da novela. No episódio “A
inflação está morta, viva a inflação”, Odorico Paraguaçu encontra-se em
duas situações difíceis. Primeiro recebe uma denúncia de que uma rede de
“muambistas, cocainistas e maconhistas”, como o próprio personagem
descreve, estava atingindo Sucupira. O prefeito realiza então uma operação
“desentoxicante e desintoxicológica”, mas só acha açúcar no carregamento
suspeito. Depois Odorico elabora um plano para combater a inflação:
aumentá-la para 300%. Decidido a conversar com o Ministro do Planejamento,
ele acaba preso junto com Zeca Diabo, depois que os dois forçam a entrada
na Câmara dos Deputados em Brasília.
O Filme.
Com
direção de Guel Arraes e roteiros do próprio com Cláudio Paiva, foi
lançado o filme O Bem Amado em 2010. No filme, após o assassinato do
prefeito de Sucupira por Zeca Diabo (José Wilker), uma disputa política
entre Odorico Paraguaçu (Marco Nanini) e Vladimir (Tonico Pereira) pelo
cargo vago tem início. Odorico vence a eleição e toma posse como prefeito,
recebendo sempre o apoio das irmãs Doroteia (Zezé Polessa), Dulcineia
(Andréa Beltrão) e Judiceia (Drica Moraes). Uma de suas promessas é
construir o primeiro cemitério da cidade, depois precisa encontrar um meio
para o cemitério seja inaugurado.
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Elenco
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Paulo Gracindo ..... Odorico Paraguaçú
Lima Duarte ..... Zeca Diabo
Emiliano Queiróz ..... Dirceu Borboleta
Ida Gomes ..... Dorotéia Cajazeira
Dirce Migliaccio ..... Judicéia Cajazeira
Kleber Macedo ..... Zuzinha Cajazeira
Carlos Eduardo Dolabella ..... Neco Pedreira
Fátima Freire ..... Tuca Medrado
Yara Côrtes ..... Delegada Chica Bandeira
Lutero Luiz ..... Lulú Gouveia
Suely Franco ..... Conchita
Ângela Leal ..... Bebel
Sumára Louise ..... Cremilda
Beth Castro ..... Miúda
Rogério Fróes ..... Vigário
Wilson Aguiar ..... Nezinho Do Jegue
Antônio Carlos Ganzarolli ..... Tião Moleza
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