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A
Série.
Batman andava meio esquecido até que o produtor William Dozier apresentou
para a emissora americana ABC a ideia de criar uma série sobre Batman e Robin, mas a intenção
era combater o crime fazendo com que o espectador se divertisse com isso. Dozier trouxe uma filosofia diferente a personagem, muita ação e humor
eram os ingredientes principais de Batman e Robin.
A ABC aceitou
produzir a série pois imaginava que ali estaria um bom produto para
divertir o público jovem. Entregou então a Dozier e Howie Horwitz,
fanáticos por quadrinhos, a incumbência de trazer essa linguagem para as
telinhas, o que era uma grande novidade para a época,
A série abusava na linguagem visual com as onomatopeias na tela cada vez
que a dupla enfrentava os vilões. Mas era estranho ver diálogos tão
infantis saindo da boca de heróis tão sérios quanto a dupla dinâmica. Ward interpretava um Robin tão infantilizado que fazia o dos quadrinhos parecer
um Nerd.
Além disso, tínhamos um narrador ao final dos episódios que
sempre terminava dizendo: "não perca mais um bat-capítulo, neste mesmo
bat-horário, nesse mesmo bat-canal", ou então "será que este será o fim
de nossos heróis?".
Essas
características fizeram os fãs do herói acusaram a ABC de infantilizar o
personagem dos quadrinhos, que tinha um tom mais sério nos gibis. Após o
cancelamento da série, os argumentistas contratados pela Dc Comics
ficaram encarregados de retomar a imagem sombria do Homem Morcego.
Mas apesar das críticas
contrárias da imprensa, dos fãs do herói e da constante perseguição da
censura e órgãos de bons costumes, o
seriado tornou-se um fenômeno em audiência. Quando estreou em 12 de
janeiro de 1966, foi vista por 49,5% dos televisores norte-americanos.
Seu tema de abertura, composto por Neil Hefti e executada pelo grupo The
Ventures, baseado em
refrões
minimalísticas, numa progressão de um blues de barra simples que
só utiliza três cordas, acabou se tornando referência quando
o assunto é Batman.
Devido aos baixos
índices alcançados no segundo ano, os produtores resolveram incluir um
terceiro personagem, a belíssima Batgirl, com o intuito de atrair
novamente a audiência.
Mas, apesar do reforço da singela Batgirl, os números de Batman continuaram
ladeira abaixo. O que é difícil de entender é o motivo pelo qual a ABC
pagava 65 mil dólares por cada episódio à Fox, sendo que o estúdio gastava
75 mil para produzir cada um deles. Com isso, o jeito foi cancelar a série
para que a Fox tivesse lucro com as reprises.
O
Elenco.
O
elenco foi uma das maiores preocupações de Dozier, ele precisava
escolher atores que fossem ao mesmo tempo engraçados, mas que soubessem
dar aos personagens a credibilidade necessária.
O primeiro a ser escolhido foi o ator Alan
Napier, que tinha seu agente trabalhando com o assistente de produção da
série Charles FitzSimons. Inicialmente ele não se interessou pelo
papel do mordomo Alfred, já que não conhecia os quadrinhos do herói, mas
ao saber que seu salário seria de 100 mil dólares por mês, fechou o
contrato sem pensar demais.
Dozier pensou primeiro em Ty Hardin, da série
Bronco, para o papel
do Homem Morcego, mas o ator estava na Itália filmando faroestes. Também
fez testes de
câmera com Lyle Waggoner (da série
Mulher Maravilha).
Foi quando o agente de
Adam West apresentou algumas fotos do ator que já tinha trabalhado na
série Detetives, e Dozier acabou decidindo por ele.
Depois vieram as
escolhas de
Neil Hamilton
no papel do Comissário Gordon e
Stafford Repp como Chefe O'Hara. A atriz Madge Blake, então com 66
anos idade, foi a próxima a ser escolhida para dar vida a Tia Harriet.
Burt Ward tinha 19 anos quando foi
escalado para o papel do Menino Prodígio. Na época ele trabalhava numa
imobiliária e não tinha experiência alguma com câmeras de televisão. Não
pensou demais em assinar o contrato para viver Robin, ainda que seu
salário inicial fosse de menos de um salário mínimo por episódio.
Mas
quem realmente roubava a cena no elenco do seriado eram os vilões, em
sua maioria interpretados por atores vindos do teatro.
Burgess Meredith
dava vida ao Pinguim, aliás ele criou o
jeitão do vilão de falar que até hoje é copiado em outras produções;
Cesar Romero fazia o Coringa, usando um generoso bigode que, por mais
que lhe pagassem bem, ele não raspava de modo algum. O jeito era pintar
de branco e evitar os closes; o excelente ator Frank Gorshin fazia o
Charada de um jeito tão escachado que é difícil esquecer;
já a sedutora Mulher Gato foi vivida por três diferentes intérpretes.
Lee Meriwether no piloto, Julie Newmar (nas duas primeiras temporadas) e
Eartha Kitt, a mais bizarra de todas, no último ano. Num artifício de
extremo mau gosto, escolheram-na por ser negra e baixinha; Rei Tut
foi vivido por Victor Buono.
Quase que Charlton Heston e Yul Brinner
interpretaram o bonachão vilão obcecado pela cultura egípcia; o Senhor
Frio foi interpretado por três atores: George Sanders, Elli Wallach e
Otto Premingeri. Este último, diretor de cinema, pediu para entrar na
série para agradar os netos. De tanto discutir com o diretor em cena,
apareceu em apenas um episódio; e o Cabeça de Ovo foi vivido por
Vincent
Price, que
detestava usar a maquiagem; ainda pareceram na série o Traça (Roddy
MacDowell, o Cornélius do Planeta dos macacos), Menestrel, o
Chapeleiro Louco, entre outros.
Adam West e Burt Ward fizeram tanto sucesso interpretando os heróis que voltariam 9 anos mais tarde a
fazer os personagens que os tornaram conhecidos, num especial em duas partes intitulado
"Legends of Super-Heroes", produzido pela NBC, onde o Batman e Robin ao
lado dos principais heróis da D.C. enfrentam os vilões da Legião do Mal.
Bastidores.
O cenário de Batman era superior ao dos seriados da época. Além de
utilizar a cidade cenográfica da Fox, alguns dos prédios foram criados
especialmente para o programa, como a fachada da chefatura de polícia. A
própria bat-caverna tinha um certo ar imponente, recheada de equipamentos e
radares - moderníssimos para os anos 60 -, com estacionamento circular
para o bat-móvel, que dispensava manobras.
Um cena que ficou muito conhecida na série
é a que Batman e Robin escalam um edifício. O cenário era feito deitado
e os atores puxavam a corda e iam andando curvados. Depois da edição a
cena era mostrada em pé e Batman e Robin pareciam estar subindo o prédio
usando sua bat-corda. Toda vez que ele subiam para o topo do prédio,
algum astro de hollywood sempre aparecia na janela para acenar. Esse
quadro foi criado porque grandes astros queriam aparecer de alguma forma
no seriado, nomes como Frank Sinatra, Steve McQueen, Clint Eastwood,
Jose Ferrer, Elizabeth Taylore até Robert Kennedy queriam fazer alguma
participação.
As tomadas aéreas, como a saída do bat-móvel da
bat-caverna, eram freqüentes, como também as da cidade de Gothan City. A
mansão Wayne também tinha certo requinte, apesar de aparecerem apenas a
sala e o estúdio onde ficava o bat-fone. Neste estúdio havia o busto de
William Shakespeare, onde Bruce Wayne acionava a estante secreta que
mostrava a passagem para a bat-caverna. Em alguns episódios, aparecem ainda
o bat-cóptero, a bat-lancha e a bat-moto com o sidecar.
bat-móvel, construído
por George Barris sob o chassis de um Ford Futura, custou cerca de 250 mil
dólares na época. Foram construídos mais três carros para o herói, que
existem até hoje e estão nas mãos de colecionadores.
Em um dos episódios
aparece o vilão Face Falsa, interpretado por Malachi Trone, que não era
conhecido na época. Por isso, o ator ficou feliz em aparecer numa série
de televisão, isso até descobrir que seu rosto seria coberto por uma
máscara e seu nome substituído nos créditos por um ponto de
interrogação. Dozier queria fazer uma brincadeira como a realizada no
filme A List of Adrian Messenger, onde nomes famosos usando
máscaras têm seus nomes ocultados para causar um mistério. O ponto de
interrogação nos créditos gerou uma grande repercussão, pois passaram a
acreditar que por detrás da máscara estava algum nome conhecidíssimo.
O uniforme de Robin,
que continha meias que cobriam toda a perna causavam grande coceira no
ator Burt Ward, que acabou tendo alergia a elas. A solução foi gravar
alguns episódios sem essa peça, mas para isso Burt teve que raspar as
pernas. O ator ainda teve que enfrentar a Liga Católica da Decência que
implicou com o calção de Robin que deixava seu órgão sexual proeminente.
Para diminuir o problema foi obrigado até mesmo a tomar remédios.
A
História.
A
série contava as aventuras de Batman e Robin em Gothan City. Batman se
escondia atrás da identidade do milionário e afável Bruce Wayne que
morava numa imponente mansão, juntamente com o jovem Dick Grayson
(Robin), que ele tinha a sua custódia, o seu fiel mordomo Alfred e a sua
tia Harriet, essa última criada para manter as aparências entre
Bruce e Dick, assim o público não levantaria a hipótese de que os dois
eram homossexuais.
Batman era a moral em pessoa, correto e
incapaz de ir contra os bons costumes e o civismo. Acreditando cegamente
em seus princípios, não percebia o quanto suas atitudes eram
contraditórias e até mesmo hipócritas. Uma bela crítica aos xerifes do
mundo. Já Robin só servia para cair vítima das artimanhas dos vilões. Era
o fiel pupilo do Morcego. Sem voz ativa, era o adolescente mais certinho
do mundo.
As aventuras normalmente envolviam os
heróis em lutas com os super-vilões como Coringa, Charada, o Pingüim,
Mulher Gato, Sereia, o Traça, Olga a Rainha dos Cossacos, Viúva Negra, o
Vergonha, Zelda a Grande, Senhor Gelo, Menestrel, Arqueiro, Minerva,
Grande Chandel, Nora Clavícula e as Irmãs Siamesas, Marsha a Rainha dos
Diamantes, Rei Tut, Sandman e muitos outros.
Seus aliados eram o comissário de polícia
Gordon, o chefe de polícia O´Hara de Gothan City e a Batgirl. A série
contava com um narrador que era o próprio produtor do espetáculo,
William Dozier. A série também serviu de trampolim para que muitos
astros dos anos sessenta pudessem aparecer, por menor que fosse sua
participação.
No
Brasil.
No
Brasil, a série chegou pela TV Paulista, canal 5. A dublagem, nas duas
primeiras temporadas, ficou a cargo dos estúdios AIC São Paulo, com os
heróis a cargo de Gervásio Marques e Rodney Gomes. No último ano, a
dupla receberia as vozes de Newton da Matta e Luís Manoel, do estúdio TV
Cine-Som.
Mais tarde o seriado foi reapresentado
pelo canal SBT. Anos mais tarde também foi exibido na
TV Record, e Rede 21.
Depois figurou nos canais a cabo Fox, FX e mais recentemente pelo TCM
(Turner Classic Movie).
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Elenco
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Dubladores Brasileiros
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Adam West .... Batman
Burt Ward .... Robin
Alan Napier .... Alfred
Neil Hamilton .... Com. Gordon
Stafford Repp .... Chefe O'Hara
Madge Blake .... Tia Cooper
Yvonne Craig .... Batgirl
Burgess Meredith .... Pingüim
Cesar Romero .... Coringa
Julie Newmar .... Mulher Gato
Frank Gorshin .... Charada
Vincent Price .... Cabeça de Ovo
Victor Buono .... Rei Tut
William Dozier .... Narrador |
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AIC - São Paulo:
Gervásio Marques .... Batman
Celso Vasconcellos .... Batman
Waldir Fiori .... Batman
Rodney Gomes .... Robin
Henrique Ogalla .... Robin
Luis Manoel .... Robin
José Vieira .... Alfred
Luis Carlos de Moraes .... Alfred
Mário Monjardim .... Alfred
José Carlos Guerra .... Com. Gordon
Ribeiro Santos .... Com. Gordon
Jorge Ramos .... Com. Gordon
Roberto Mendes .... Chefe O'Hara
Judi Teixeira .... Tia Harriet Cooper
Henriqueta Brieba .... Tia Cooper
Ilka Pinheiro .... Batgirl
Borges Barros .... Pingüim
Magalhães Graça .... Pingüim
Ary Toledo .... Pingüim
Turíbio Ruiz .... Coringa
Marcos Miranda .... Coringa
Gessy Fonseca .... Mulher Gato
Sônia de Moraes .... Mulher Gato
Luiz Pini .... Charada
José Soares .... Cabeça de Ovo
Neville Jorge .... Cabeça de Ovo
Eleu Salvador .... Rei Tut
Chico Borges .... Narrador
Amauri Costa .... Narrador |
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